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Birigüi, São Paulo, Brazil
Tenho 30 anos, sou graduado em Letras pela Faculdade de Ciências e Tecnologia de Birigui (FATEB),graduado em História pela Universidade Toledo de Araçatuba e pós-graduado em Assessoria Bíblica pela Escola Superior de Teologia de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (EST)em parceria com o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI). Atualmente professor da educação básica de escolas estaduais de SP e cursando o pós-graduação em História Cultural pelo Centro Universitário Claretiano.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

NICOLÒ DI BERNARDO DEI MACHIAVELLI

Nicolò di Bernardo dei Machiavelli, ou Nicolau Maquiavel, como conhecemos, nasceu em Florença, Itália, em 1469 e viveu até 1527. Foi historiador, poeta, diplomata e músico e viveu em uma fase de transição em que o teocentrismo medieval perdia espaço para o humanismo renascentista.
Atualmente, é reconhecido como fundador da Ciência Política moderna por refletir sobre como o Estado e o governo realmente atuavam ou deveriam atuar para se manter no poder. Maquiavel teria sido o terceiro de quatro filhos de família humilde. Aos sete anos já dominava o latim e, mais tarde estudou também os fundamentos da língua grega antiga. Alguns autores consideram que, comparada a outros pensadores, a educação de Maquiavel foi fraca, principalmente pela falta de recursos da família.
Durante seus estudos, Maquiavel teve contato com obras da Antiguidade Clássica, talvez pela característica do movimento renascentista de resgatar os valores da Idade Antiga. O autor mais lido por Nicolau teria sido Tito Lívio, entre outros por meio dos quais se apropriou do conceito de virtu e fortuna. A partir daí, segundo Chauí (2000), Maquiavel constrói sua teoria de acordo com seu tempo.
Em 1498, Nicolau foi escolhido para a 2ª chancelaria na qual era responsável pela política interna e questões relacionadas às guerras. Efetuou missões de diplomacia com sucesso e representou o interesse político de seus líderes chegando ao cargo de embaixador. Durante essas missões é que Maquiavel escreve suas primeiras obras das quais, a mais conhecida é O Príncipe e Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio (1512-1517) além de outro clássico chamado A arte da guerra.
Entre 1517 e 1518, escreveu o poema Asino d’oro, a peça Mandrágora, considerada obra prima da comédia italiana, Novella di Belfagor (1515), além de inúmeros tratados históricos e políticos.
Durante o Renascimento, Florença era uma das cinco principais potências econômicas especializada no comércio de lã e seda que eram distribuídas por toda Europa. Devido a isso, Florença era um atrativo para as demais potências europeias principalmente Espanha e França. Em suma, Florença é considerada berço do Renascimento e foi um centro de comércio e de finanças que do início do século XV até meados do século XVIII foi governada pela família Médici muito influente conforme afirma Pipkin (2009):

Gracias a la expansión económica y al privilegio obtenido por algunos mercaderes se fue formando un grupo diferenciado por su fortuna, el de los más ricos. Eran los grandes comerciantes y banqueros y los maestros de los gremios más importantes, que constituyeron el patriciado urbano. La diferenciación de este grupo terminó de definirse cuando conquistaron el poder de las comunas. Familias poderosas como los Médici en Florencia y los Visconti y los Sforza en Milán, detentaban el poder en las ciudades.

Como podemos observar, o poder econômico se tornava fator de ascensão social e manutenção dessa posição através dos anos e, de fato, Maquiavel legitimaria essa lógica com os escritos de sua mais famosa obra O Príncipe buscando também o pode.

O Príncipe

Podemos dizer que as principais ideias dessa obra gravitam em torno dos conceitos virtude/fortuna e conquista/manutenção do poder.
Maquiavel começa O Príncipe relatando alguns acontecimentos com alguns príncipes da época. Isso prova que suas ideias e obras se basearam na história política de seu tempo que refletem as quedas e ascensões de líderes e criticam aqueles que se tornam causa do poderio de outrem, pois se arruínam devido a esse poder resultar ou da astúcia ou da força.
Utilizando o momento histórico em que vive e o estudo da Antiguidade Clássica, Maquiavel vai descrevendo os fatos e refletindo sobre eles e fazendo inúmeras ressalvas como quando afirma que o Príncipe deve governar e destruir par anão ser destruído, que a ele é necessária mais virtude do que fortuna, pois, com a virtude, a conquista do Estado se dá com dificuldade, mas a manutenção dele é menos trabalhosa. Enquanto o príncipe, por meio da fortuna, conquista facilmente o Estado, no entanto terá dificuldade em mantê-lo porque lhe falta virtude, algo fundamental para se manter no poder.
Cabe aqui um pequeno esclarecimento do que Maquiavel entende por virtude e fortuna. Este, segundo Chauí (2000), seria um conjunto de circunstâncias externas que agem sobre o príncipe determinando sua vontade e ação, mas que não está em seu poder. Já a virtude consiste em o príncipe ser volúvel e inconstante, ou seja, deve ser flexível às circunstâncias para assim dominá-las, mesmo que para isso seja preciso ser cruel, mentir ou, em outros momentos, ser generoso e etc.
No livro O Príncipe, Nicolau escreve sobre aqueles que chegam ao principado por meio de crimes. Conforme ele, temos:

Penso que isto resulte das crueldades serem mal ou bem usadas. Bem usadas pode-se dizer serem aquelas (se do mal for lícito falar bem) que se fazem instantaneamente pela necessidade do firmar-se e, depois, nelas não se insiste mas sim se as transforma no máximo possível de utilidade para os súditos; mal usadas são aquelas que, mesmo poucas a princípio, com o decorrer do tempo aumentam ao invés de se extinguirem. Aqueles que observam o primeiro modo de agir, podem remediar sua situação com apoio de Deus e dos homens, como ocorreu com Agátocles; aos outros torna-se impossível a continuidade no poder. Por isso é de notar-se que, ao ocupar um Estado, deve o conquistador exercer todas aquelas ofensas que se lhe tornem necessárias, fazendo-as todas a um tempo só para não precisar renová-las a cada dia e poder, assim, dar segurança aos homens e conquistá-los com benefícios. (Maquiavel, 2009)

Provavelmente dessas afirmações tenha saído a sentença de que “os fins justificam os meios”. O mal seria necessário para se obter uma conquista, mas somente para isso. Esse mal não deve se estender.
Nesse mesmo livro, o autor afirma que para aquele que chega ao principado em favor de seus concidadãos não é necessária muita virtude nem fortuna, mas astúcia afortunada. Entretanto, ele alerta que é necessário ter o povo como amigo, mas também ter assim aos grandes.
Pode-se chegar ao principado por vontade do povo, porém, é melhor subir ao principado com ajuda dos grandes, pois ao povo se conquista.

O príncipe pode ganhar o povo por muitas maneiras que, por variarem de acordo com as circunstâncias, delas não se pode estabelecer regra certa, razão pela qual das mesmas não cogitaremos. Concluirei apenas que a um príncipe é necessário ter o povo como amigo, pois, de outro modo, não terá possibilidades na adversidade. (Maquiavel, 2009)

Em outro momento, o livro traz também algumas reflexões sobre os principados eclesiais. Segundo o autor, conquistam pela virtude ou pela fortuna e sem uma e outra se conservam por serem sustentados pela ideologia religiosa.
A partir dessas ideias de conquista e manutenção de poder, Maquiavel vai desenrolando sua teoria política e enfatiza outro ponto que também parece fundamental: o príncipe não deve evitar ao máximo ser odiado, antes, que seja temido.
O livro O Príncipe foi escrito a Lorenzo de Medici e através de conselhos, sugestões e inúmeras admoestações realizadas a partir de acontecimentos políticos que aconteceram na península itálica nesse período de transição entre Idade Média e Renascimento. Com isso, alguns autores afirmam que Maquiavel dedicou esse livro a Lorenzo para ganhar sua confiança e ter um cargo, mas não consegue atingi-lo.
Aos 58 anos, Nicolau Maquiavel morre na pobreza e, ironicamente, totalmente afastado do poder.

Lucas Rinaldini
Referências bibliográficas

PIPKIN, D. Claves históricas para leer a Maquiavelo. Fonte: http://www.4shared.com. Acesso em 20 de março de 2009.

CHAUÍ, M. Filosofia. Ática-SP. 2000.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Fonte: http://www.4shared.com. Acesso em 24 de março de 2009.

MAQUIAVEL, N. Escritos Políticos A Arte da Guerra. Fonte: http://www.4shared.com. Acesso em 24 de março de 2009.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maquiavel. Acesso em 20 de março de 2009.

Um comentário:

Birigui disse...
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