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Birigüi, São Paulo, Brazil
Tenho 30 anos, sou graduado em Letras pela Faculdade de Ciências e Tecnologia de Birigui (FATEB),graduado em História pela Universidade Toledo de Araçatuba e pós-graduado em Assessoria Bíblica pela Escola Superior de Teologia de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (EST)em parceria com o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI). Atualmente professor da educação básica de escolas estaduais de SP e cursando o pós-graduação em História Cultural pelo Centro Universitário Claretiano.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Espiritualidade Programada

por Lucas Rinaldini




É natural dizer que o ser humano é inconstante, que muda fácil de ideia, que está suscetível a influências do meio e que nunca sabe o que realmente se passa nas profundezas de seu coração. Já dizia Fernando Pessoa “Navegar é preciso. Viver não é preciso” interpretando no sentido de que não há precisão no ato de viver como há no ato de navegar.

Nós, humanos, passamos por várias etapas de nossas vidas. Evoluímos, mudamos nossos sentimentos e pensamentos. Isso é algo que se faz necessário!

No capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos Coríntios, no versículo 11, está escrito: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança.” E na continuidade, o texto ainda trás no versículo 12: “Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei como sou conhecido.” É a esperança de evoluir, um passo de cada vez.

Evoluir emocional, intelectual e espiritualmente é um processo natural, ou pelo menos deveria ser, pois algumas convenções da sociedade acabam tornando isso bem mais complicado e, na maioria das vezes, tolhendo alguns aspectos dessas evoluções. Somos levados a cultivar a tristeza até chegarmos às profundezas da solidão e da depressão quando não direcionamos nossas emoções para o ódio e a violência. Parece ser mais fácil aprender a ser triste ou violento a aprender a fortalecer os sentimentos para o bem e o amor.

Intelectualmente, a sociedade tem se preocupado cada vez menos com o conhecimento da vida das pessoas, aquele conhecimento de vida popular, que nossas avós e avôs tinham: a sabedoria de vida.

Além disso, estamos sendo seduzidos por aquilo que não exige o menor esforço de aprendizagem. O trabalho fatigante do dia a dia e o entretenimento banal trazido pela televisão nos fazem desejar cada vez menos exercitar o aprender e nos afasta dos livros e do conhecimento científico.

Junto a tudo isso, deparamo-nos com a ditadura de algumas religiões que impedem as pessoas de evoluírem espiritualmente com suas regras absurdas e dogmas. Na era da tecnologia, em que vivemos cercados de máquinas minuciosamente programadas para obedecerem a ordens, desejamos que a espiritualidade dos seres humanos seja tão controlável quanto os computadores, mas nos esquecemos que mesmo as máquinas nos surpreendem.

O tempo da colonização/invasão do Brasil pelos portugueses é um bom exemplo da tentativa de controle da espiritualidade humana. Milhares de tribos indígenas sofreram com a chegada do Cristianismo imposto pelos colonizadores e tiveram sua espiritualidade violentada para não perder a vida. Será que Jesus, considerado por tantos o Mestre dos Mestres, não seria sábio o suficiente para entender que a espiritualidade tem seus momentos e características próprias de cada ser?

As necessidades das pessoas transcendem as normas impostas com o principal objetivo de conservar o poder das grandes instituições religiosas que pregam e obrigam as pessoas a terem uma espiritualidade programada e, por isso, negam aquilo que pode libertar verdadeiramente os seres humanos: a verdade despida de interesses.

A espiritualidade deve e precisa passar por todos os estágios necessários de evolução, mas limitá-la é abortar a possibilidade de renascimento de um novo ser humano a cada dia.

terça-feira, 10 de maio de 2011

FESTEJANDO A VIOLÊNCIA

Nas últimas semanas, a notícia do assassinato de Osama Bin Laden é a principal manchete em todos os meios de comunicação de que dispõem os homens. Assim como o “11 de setembro” também se tornou notícia por vários meses, após dez anos desse abominável terrorismo, alega-se que a justiça foi feita e a mídia não cessa de noticiar que a ação norte-americana em Abbottabad, no Paquistão, “pôs fim” ao terrorismo. Isso sem mencionar os países que se manifestaram parabenizando a invasão dos EUA. Sim, foi uma invasão!

Especialistas em direito internacional alegam que um país não pode adentrar outro com um grupo de militares, pois isso configura quebra de soberania do país invadido ou ato de guerra. O fato é que deste direito parecem não fazer parte os países do Oriente Médio, que possuem reservas petrolíferas ou que simplesmente não concordam em baixar a cabeça para a política norte- americana.

Claro, a reação violenta a qualquer ato de opressão, jamais é justificada. Gandhi, no movimento de libertação da Índia que se encontrava sob o domínio britânico na década de 1940, condenou de forma veemente qualquer reação violenta contra os opressores alegando que estes também eram seres humanos que possuíam famílias.

O Ataque terrorista às Torres Gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, provocando cerca de 3000 mortes em 11 de setembro de 2001 não deve jamais ser entendido como algo legítimo em face da opressão dos EUA sobre o Oriente Médio, mas não se pode negar que tal ocorrido é consequência dessa opressão. Se Bin Laden é um “demônio”, esse demônio foi criado e treinado pelo próprio serviço secreto dos Estados Unidos na década de 1980 durante a invasão soviética do Afeganistão. Nessa época, o Paquistão era visto pelos EUA como aliado na Ásia.

A política do medo, incutida no mundo todo pelos EUA na década de 1980, era contra a União Soviética e seu socialismo. Até hoje, o povo russo não é visto com simpatia pelo resto do mundo. Hoje, o medo é direcionado para outros alvos: países com reserva pretrolífera. Em defesa dessa política do medo, chamada pelos Estados Unidos de liberdade, os norte-americanos elegem um “inimigo número 1” e, em busca desse inimigo, devastam o país e oprimem milhares de pessoas inocentes para conseguirem seus objetivos.

O atual “triunfo norte-americano” sobre o terror, foi festejado por milhares de estadounidenses. A aprovação do presidente Barack Obama foi às alturas, chegou-se a dizer que era o começo da paz e a tal “mansão” onde Bin Laden foi assassinado tornou-se ponto turístico segundo a manchete da página de notícias do site Terra. Esse tipo de comemoração deveria ser encarado como incrivelmente triste pela humanidade. Finalmente, alcançou-se o ponto máximo da falta de fraternidade: festejar a morte de seres humanos.

Evidentemente, é muito difícil, e até mesmo impossível, para as pessoas que foram vítimas do terrorismo de 11 de setembro, perdoar a pessoa de Osama, pois o perdão não é algo que se pode ser exigido, mas festejar um assassinato, um ato de extrema violência, é uma prova de que existe muito rancor dentro das pessoas. No entanto, deve se pensar se a festa foi em homenagem às vítimas do World Trade Center ou para reerguer o orgulho e a prepotência norte-americanos.

A segurança nos aeroportos foi reforçada. Qualquer pessoa com pacotes, roupas incomuns ou uma barba com mais de quatro dedos de comprimento é considerada suspeita e inevitavelmente revistada. Que tipo de paz está surgindo? Existe paz sob o domínio do medo?

É lamentável , após tantos anos vivendo na Terra, ver que os seres humanos não conseguem enxergar algo tão patente: todas as atitudes e omissões têm uma consequência.

Este acontecimento, não é um sinal do fim da violência, mas seu apogeu, sua coroação como fruto mais amargo de uma humanidade que teima em não aprender.



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

HOJE TEM MARMELADA????? ESPERAMOS QUE NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO!!!! E QUE DEUS NOS AJUDE!

ENTRE SANTOS E PALHAÇOS

Quem assiste aos programas de propaganda eleitoral gratuita já pôde ver os inúmeros candidatos e candidatas com os perfis mais exóticos que se pode imaginar. Dentre tantos, destaca-se a forte presença daqueles que estão ligados à religião e outros que se utilizam do que se chama de bom humor.
Começando pelo lado religioso, há uma infinidade de pastores, padres e simpatizantes de algum tipo de religião que terminam ou iniciam suas falas, na maioria das vezes com o tempo bem curto, com frases do tipo “sou cristão”, “glória a Deus”, “com o fogo do Espírito Santo” e tantas outras fórmulas de invocações do transcendente.
Mas o que seria de fato uma união entre fé e política? Seria rezar para que Deus ajude seu povo? Seria esperar pela ajuda dos céus ou algo sobrenatural? Seria terminar de mencionar uma proposta no horário eleitoral e erguer as mãos para o céu?
O caso é que o contexto atual do Brasil faz com que as pessoas recorram cada vez mais a fé em Deus, santos, santas, pastores, enfim, todos estão à espera de um milagre! Mas isso não pode ser esperado de promessas baseadas em louvores ou bênçãos. Há quem diga ainda que fé não se mistura com política, o que é uma visão equivocada do ponto de vista de uma teologia mais engajada socialmente. Para o teólogo Leonardo Boff, A fé não é um "ato" ao lado de outros. Mas é uma "atitude" que engloba todos os atos, toda a pessoa, o sentimento, a inteligência, a vontade e as opções de vida. Neste sentido, a fé engloba também a política com P maiúsculo (política social) e com p minúsculo (política partidária). A fé não fica apenas como experiência pessoal de encontro com Deus. Ela se traduz concretamente na vida.
A fé, na verdade, deve motivar as pessoas a darem prioridade a propostas que envolvam não apenas a invocação do sobrenatural, mas principalmente que priorizem o social. De fato, esperar que Deus dê um jeito no país é ficar de braços cruzados e permitir que, cada vez mais, a política se torne um palco.
Sendo um palco, é possível constatar nas propagandas eleitorais uma verdadeira invasão de atores, atrizes, comediantes e afins. Muitos sequer sabem que funções serão exercidas no cargo público pretendido. O mais preocupante é que esses cadidatos e candidatas são os que mais possuem votos! O que leva as pessoas a essa preferência?
Ao que parece, não é ignorância do povo como muitos pensam. É sabedoria! É protesto que deve alertar a todos! Por trás desse protesto disfarçado, está a indignação e  a desilusão do povo brasileiro. Tantos anos sendo massacrado, por políticos que usaram de má fé, suscitaram essa reação nas pessoas: um protesto desesperado, um recado para os candidatos.
Ainda conforme o cientista político Rubens Figueiredo, "No Brasil o partido é muito fraco. O partido não está preocupado com a imagem, está preocupado em eleger deputados" e nessa corrida para ocupar as cadeiras das Câmaras e do Senado, vale tudo. Até mesmo apelar para o humor e deixar de lado a seriedade que necessita a situação do povo brasileiro.
Além disso, é preciso olhar bem, não só para as piadas explícitas e o show dos candidatos exóticos, mas também para os incríveis malabarismos que muitos outros candidatos, eleitos há muito tempo, fazem às vesperas das eleições para construir e promover aquilo que já deveria estar pronto desde quando o povo já necessitava.
Enfim, nada contra os santos e muito menos contra os palhaços. Ambos amenizam as dores do povo. No entanto, entre os santos e palhaços da política, que prevaleça a necessidade das pessoas, que o protesto seja ouvido e entendido e que providências sejam tomadas.

Lucas Rinaldini
Estudante de História e Professor de Ensino Religioso

sábado, 25 de setembro de 2010

INIMIGOS - OBRAS DE GIL VICENTE

Eu não serei hipócrita. Quando vi essas obras de Gil Vicente, identifiquei-me com o que elas nos mostram. Não quero ser violento, procuro a paz, mas não posso negar que me senti "confortável" e ao mesmo tempo chocado com imagens tão fortes. Há também um pouco de alívio, como se disséssemos: "Isso! É isso! Até que enfim alguém nos ouviu!" Uma mistura de sentimentos que acredito estar presente em grande parte das pessoas. É incrível como Gil conseguiu captar esses sentimentos que estão presentes nas pessoas, insisto nessa ideia porque para mim é pouco crível que muitos não desejem fazer o mesmo. É como se quiséssemos que os "inimigos" sentissem aquilo que fizeram tantas pessoas sofrerem. 
Entretanto, quero deixar bem claro que está longe de mim apoiar a execução de tais fatos retratados, pois, apesar de tudo, prefiro a paz e o jeito bom de resolver as coisas...

Fonte das imagens: http://bstumpf.wordpress.com/2010/09/18/matem-gil-vicente/ acesso em 25/09/2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O GRITO DE RESISTÊNCIA DAS MULHERES

Eu me pergunto, porque nossa cultura e, principalmente, nossa amada Igreja maltrata tanto nossas mulheres? Não foi do ventre de uma mulher que veio o salvador? Não foi do ventre de uma mulher que veio toda hierarquia da Igreja Católica? Porque tantos NÃOS!!! às mulheres?
Segue abaixo o texto das CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR em resposta à cartilha medonha e retrógrada produzida pela CNBB.

Católicas pelo Direito de Decidir em Defesa da Vida

(em resposta ao texto "Apelo a todos os Brasileiros e Brasileiras"

sobre como votar nas eleições 2010)



No final de agosto último, a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, elaborou um texto com o propósito de orientar seus e suas fiéis sobre como votar bem nas próximas eleições. A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, por sua vez, divulgaram nota em que afirmam acolher e recomendar a divulgação dessas orientações.
Católicas pelo Direito de Decidir, após tomar conhecimento do teor desses documentos, vem a público manifestar seu estranhamento e repúdio às afirmações falaciosas presentes no referido texto, o que de forma nenhuma condiz com o que esperamos de líderes religiosos que deveriam ser exemplo de ética e correção, especialmente ao assumir tarefa que não é própria do âmbito religioso, ou seja, interferir nas eleições, dirigindo-se inclusive a não católicos/as.
Como católicas, estranhamos que Igreja católica no Brasil, que há 30 anos orientou cristãos e cristãs a participarem da política sem assumir posições partidárias, venha agora a público fazer uma campanha tão declaradamente contrária à candidata do atual governo, distorcendo informações e faltando com a verdade. Se não, vejamos:
1. Não é verdade que o projeto apresentado pela Comissão Tripartite em 2005 propunha a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez. Cópia fiel do texto do projeto começa com a seguinte frase: "O Congresso Nacional decreta: Art. 1º - É livre a interrupção da gravidez, até a décima segunda semana de gestação, nos termos desta lei." No texto "Apelo a todos os Brasileiros e Brasileiras", portanto, há uma evidente distorção dos fatos, haja vista que existe uma regulamentação explícita no Projeto de Lei 1135/91 (e que é detalhada nos artigos seguintes) que não permitiria a interrupção de gravidez a qualquer momento da gestação. Para mais informações, veja em: Comissão de Seguridade Social e Família - Substituto da relatora ao projeto de lei n.1135, de 1991.
2. Não é verdade que o plano de governo do segundo e atual mandato do Presidente da República, de setembro de 2006, reafirme o compromisso de legalizar o aborto. Reiterada e publicamente o presidente vem afirmando que o aborto é uma questão de saúde pública e deve ser discutido no Congresso Nacional.
3. Ao afirmar a suposta existência de um Imperialismo demográfico que está implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional, o texto da comissão da CNBB utiliza um argumento antigo, falso e inconsistente, sobretudo em tempos em que esse controle significaria uma estratégia obsoleta e desnecessária, pois é sabido que há tempos o Brasil é um país cuja população envelhece mais do que cresce. Além disso, o que ganharia o capitalismo em produzir menos consumidores? E o que o texto ganha, em termos pastorais, ao insinuar uma espécie de teoria da conspiração absolutamente fantasiosa?
4. Perguntamo-nos ainda por que os nossos eminentes Bispos silenciam princípios doutrinais católicos que legitimam o direito de uma mulher optar pelo aborto, como o recurso à própria consciência e a escolha do mal menor? Seria por um autoritarismo misógino? Ou seria por "mero" abuso de poder?

Como católicas comprometidas com a defesa da vida e da dignidade das mulheres, repudiamos a irresponsabilidade de integrantes da hierarquia católica que vêm insistentemente a publico para condenar o aborto - reforçando o estigma e o sofrimento de milhares de pessoas -, mas silenciam em conivência com as múltiplas formas de violência que as mulheres sofrem cotidianamente no Brasil apenas por serem mulheres. Lembramos que casos como os assassinatos de Eliza Samúdio e Mércia Nakashima não são exceção, mas regra corrente em nosso país misógino e machista.
Como católicas comprometidas com a justiça social, lamentamos profundamente que a CNBB não faça notas públicas para orientar a população católica a votar em candidatos reconhecidamente favoráveis às lutas sociais, à erradicação da miséria e da violência e à implementação de políticas públicas no Brasil que resolvam a injusta distribuição de renda de nosso país.
A Igreja católica na qual fomos formadas foi, em tempos de ditadura militar, no Brasil a voz daqueles que não têm voz, mas hoje cala-se vergonhosamente frente aos problemas mais graves do país, insistindo apenas na condenação dos direitos humanos das mulheres e de pessoas homossexuais, bissexuais, de travestis e transexuais. É sabido, entretanto, que há inúmeros/as católicos/as que, à revelia das posições oficiais da CNBB, continuam dando sua vida em prol daqueles que sofrem discriminações de todo o tipo. Parte significativa de padres, freiras e leigos/as não expressam sua discordância da oficialidade católica, porque temem ser punidos com expulsão das pastorais e das dioceses, imposição do silêncio e até mesmo afastados do serviço sacerdotal. Para nós, no entanto, são essas as pessoas que mantém vivo o espírito do evangelho!
A oficialidade católica necessita ouvir essas vozes e trabalhar por uma igreja coerente com os valores cristãos, com menos escândalos sexuais e voltada para aqueles/as que mais sofrem. Não é tarefa da Igreja assumir posições partidárias no processo político eleitoral, muito menos atentar contra a laicidade do Estado.
Como Católicas pelo Direito de Decidir, somos favoráveis à democracia, não queremos que o Estado se deixe pressionar por interferências indevidas de setores religiosos fundamentalistas. Defendemos o respeito merecido por todo/a o cidadão/ã brasileiro/a na hora de votar.
Como Católicas pelo Direito de Decidir, queremos fazer pública uma das vozes dissonantes dos diversos movimentos católicos que não concordam com o autoritarismo da hierarquia eclesiástica. Manifestamos nossa imparcialidade no processo eleitoral, repudiando o uso político das religiões para alcançar votos, bem como o uso que a oficialidade católica vem fazendo da política para impor questões supostamente doutrinais.


CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR

São Paulo, 10 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

NESSE, EU POSSO CONFIAR...

Em toda caminhada existem aqueles e aquelas que desistem por desânimo, falta de fé e muitos outros motivos. Conheço Fernando há bastante tempo para saber que é comprometido com os compromissos que assume e que tem uma característica fundamental para quem quer fazer mudanças para melhor: a ESPERANÇA!
Por isso, confio meu voto para FERNANDO ESCODEIRO!

ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

Semana Santa: a última semana da vida de Jesus

Áurea Esteves Serra*
Lucas Rinaldini*


A Semana Santa é a história do confronto do reino de Deus com o reino de César. O confronto entre esses dois reinos intensificam-se durante a última semana da vida de Jesus.
Para entendermos essa situação de confronto se faz necessário conhecer um pouco mais sobre a cidade de Jerusalém. Para Borg e Crossan (2007) Jerusalém “é a cidade de Deus e a cidade sem fé, a cidade da esperança e a cidade da opressão, a cidade da alegria e a cidade da dor” (p. 19). Por que será que Jerusalém é conhecida por esses princípios antagônicos?
Foi por volta do ano 1.000 a.C sob o reino de Davi que Jerusalém tornou a capital de Israel e de acordo com Borg e Crossan (2007) o centro da geografia sagrada do povo judeu. O templo foi construído por volta de 900 a.C pelo filho de Davi, Salomão. Vale lembrar que a Judéia, e sua capital Jerusalém foi governada por vários impérios estrangeiros e somente a partir do ano de 63 a.C ela estará sob o controle de Roma.
Apresentando um pouco de história a partir da “Teologia da Corte de Davi” lembremos que Davi governou de 1010 a 970 a.C e seus dominios eram: Norte = Israel, Sul = Judá e Jerusalém = cidade de Davi. Já com seu filho Salomão que governa de 970 a 93 a.C, o Norte, o Sul, Jerusalém e outros reinos estão todos sob seu governo. Vale lembrar ainda que a família de Davi (a dinástia) fica com a arca da aliança e Davi a leva de Siló para Jerusalém. Talvez seja esse o motivo que segundo Borg e Crossan (2007), Jerusalém é o “‘umbigo da terra’”, ligando este mundo a sua origem em Deus, confira Ez 5,5!. Aqui (somente aqui) ficava o local de moradia de Deus na terra (...), estar no templo era estar na presença de Deus” (p.20). Para Gallazzi (2002), somente os sumos sacerdotes podiam se aproximar desse lugar santo, lugar da presença de Deus. Ainda para este autor “este fato garante a concentração do poder do controle ideológico na mão do templo e do sacerdote” (p.204).
Jerusalém torna-se esplêndida no governo de Herodes , o Grande na qual, este rei dos judeus reconstrói o Templo, constrói palácios, fontes, portos etc. Para Gass (2007):

Se o templo era o núcleo central do Judaísmo, convém lembrar que, por extensão, a cidade de Jerusalém era o centro político e espiritual do povo judeu. No tempo de Jesus, tinha em torno de 50 mil habitantes. Mais de um terço deles dependia diretamente das atividades normais do templo e das obras de ampliação.

Jerusalém se torna um lugar de grandes peregrinações para festas que tiveram sua origem no Êxodo (Ex 23, 14-19) e Jesus, provavelmente participou de algumas delas. Veja em Lc 2, 41-50; 22, 7-18; Jo 2, 13-25; 11,55ss.
Os romanos tinham conhecimento de que os judeus esperavam por um Messias, por isso, quando algumas dessas festas se aproximavam, em especial a Páscoa, o procurador romano deixava sua residência para comandar diretamente para comandar as legiões.
Não é à toa que Marcos colocou a entrada triunfal de Jesus no domingo de Ramos (Mc 11, 1-11). Tal fato serve de oposição à entrada do poder do Império em Jerusalém. Conforme Borg e Crossan (2007), duas procissões estavam acontecendo naquela ocasião, “Uma foi uma procissão de camponeses, a outra um desfile imperial”. Ou seja, Marcos coloca Jesus como aquele que traz um reino diferente, o Reino de Deus.
No dia seguinte, a segunda-feira, acontece o episódio da figueira intercalado com o episódio do Templo (Mc, 11, 12-21) que termina no início da terça-feira. Será que Jesus foi tão petulante e até abusou de seus “poderes” nessa situação? Seria esse o Jesus libertador, o messias que se esperava? Pouco provável.
É preciso entender tanto o incidente da figueira quanto o do Templo mutuamente. Depois da figueira, Marcos coloca o trecho em que Jesus chega ao templo e explusa os vendedores e compradores que ali se encontram (Mc 11, 15). Jesus era judeu e é muito provável que tinha apreço pelo Templo, mas não da forma como estava sendo administrado. De fato, aquele lugar havia se tornado uma casa de comércio. O que uma pessoa busca em uma igreja ou templo? Um contato mais próximo com Deus, com as pessoas, uma orientação, algo que possa saciá-la de alguma forma. Não estaria essa pessoa em busca de algum fruto? Nos dois casos, o problema era a falta do fruto que Jesus buscava (Borg e Crossan 2007). Em outras palavras, Jesus não aceita um templo que não produza frutos, esse templo deve ser destruído.
Na terça-feira, dentre vários acontecimentos, destaca-se aqui o momento em que sumo sacerdotes, escribas e anciãos questionam a autioridade de Jesus (Mc 11, 27-33). Os doutores da Lei querem encontrar uma maneira de fazer com que Jesus se incrimine por suas próprias palavras, no entanto, são surpreendidos com outro questionamento feito por Jesus que não fica numa atitude passiva. É inadequado, quando se estuda o Jesus Histórico, afirmar que Jesus foi passivo. Ele não usou de violência para com as pessoas, mas usava sua inteligência e conhecimento da Lei para colocar os doutores em situações constrangedoras. A violência está na reação dos sumo sacerdotes, escribas e anciãos que, com seu orgulho ferido, planejam matar a Jesus.
Ainda na terça-feira, há outro incidente. Alguns herodianos vão questionar Jesus se é lícito pagar imposto a César (Mc 12, 13-17). Está muito claro que tentam fazer com que Jesus caia numa armadilha. Se ele disser “não”, pode ser acusado de subversivo e ser preso imediatamente. Se disser “sim”, estará legitimando a exploração romana sobre o povo judeu. O que fazer então? A primeira atitude de Jesus é perguntar se eles tinham um denário, que é uma moeda romana. E as autoridades judaicas o tem! Um judeu não carrega moedas com imagens, é idolatria! Nas palavras de Borg e Crossan (2007):

A estratégia de Jesus leva seus interrogadores a revelar à multidão que eles têm uma moeda com a imagem de César. Neste momento, eles ficam desacreditados. Por quê? Na pátria judaica do primeiro século, havia dois tipos de moedas. Um tipo, devido à proibição dos judeus de ter imagens gravadas, não possuía imagens humanas ou de animais. O segundo tipo (inclusive as moedas romanas) tinha imagens. Muitos judeus não carregavam nem usavam moedas desse segundo tipo. Mas os interrogadores de Jesus na história as carregavam. A moeda que eles apresentaram tinha a imagem de César junto com o estandarte e a inscrição idólatra que chamava César de divino e Filho de Deus. Eles São revelados como integrantes da política de colaboração.

Seria o mesmo que qualquer líder religioso hoje criticasse as atitudes dos Estados Unidos, mas usufruísse do dólar. É o mesmo que criticar a televisão e nao perder um capítulo da novela.
Jesus mostra quem realmente está a favor da exploração. São as próprias lideranças judaicas que carregam a moeda do império. Isso é ponto chave para se entender o que se segue. Jesus continua com o seguinte dito: “O que é de César, dai a César: o que é de Deus, a Deus”. (Mc 12, 17). Diante do contexto histórico, é equivocado afirmar que Jesus justifica o pagamento de impostos absurdos. O império romano invadiu e tributou as terras e toda a produção do povo da palestina. Daí vem a pergunta: o que é de Deus? A terra e o que ela produz é de Deus! O povo é de Deus! A Deus, o que é de Deus! Não pertence a César. Indiretamente, Jesus afirma que o império é invasor e injusto e não concorda com essa prática! Mas não faz isso de maneiro explícita, primeiro ele mostra quem são realmente os colaboradores do império explorador.
Na quarta-feira, Jesus está na casa de Simão, o leproso (Mc 14, 1-11). Entra uma mulher que lhe unge a cabeça com um perfume caríssimo. Ela é criticada pelos que ali estão, pois o dinheiro gasto com o perfume poderia ser usado para os pobres, mas Jesus a defende a mulher, pois a prática de dar esmola, ou comprar comida, ou qualquer outra coisa para os pobres não devolve a eles dignidade e não é partilha. Basta conferir o que está escrito em Dt 15, 11: “Nunca deixará de haver pobres na terra; é por isso que te ordeno: abre a mão em favor do teu irmão. Do teu humilde e do teu pobre em tua terra”. Jesus propõe a partilha e não a esmola.
A atitude da mulher simboliza que ela reconhece que Jesus é o Messias que será assassinado pelo poder opressor. O próprio Jesus diz: “Ela fez o que podia: antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.” (Mc 14, 8). É possível estabelecer um contraponto com o conceito de Messias que Pedro tem. Confira em Mt 16, 21-23. Os discípulos têm dificuldade em entender que a missão de Jesus exige dedicação total, mesmo que para isso, seja necessário se arriscar em busca do seu objetivo.
Chega a quinta-feira que para os católicos é o dia da instituição da Eucaristia (Mc 14, 22-25). Nesse dia Jesus come a ceia com seus discípulos e suas discípulas pouco antes de se dirigir parao Getsêmani onde seu sofrimento se acentua. Na ceia, deve-se observar que Jesus, mesmo estando prestes a ser preso, sabendo do perigo que corria, transforma esses sentimentos em amor e quer partilhar com seus amigos e amigas. Esse seria talvez o grande mistério da Eucaristia. Longe de significados mágicos, a Eucaristia é o maior e mais desafiador milagre humano: transformar o medo em amor! Lembrar-se de que Jesus teve um projeto a favor dos fracos, dos pobres, dos doentes, de todos(as) injustiçados(as) e que, fazendo memória de sua ceia, até hoje, todos cristãos e todas as cristãs são convidados(as) a transformar seus medos, angústias e dificuldades em força para enfrentar as dificuldades.
No Getsêmani (Mc 14, 32-42), é interessante enfatizar como Jesus está sofrendo. Ele tem consciência de que sua prática suscitará o ódio dos adversários e que, por isso, ele corre sério risco de morrer. Por isso, chega a pedir ao Pai que afaste esse cálice (Mc 14, 36). Ao contrário de que muitos pensam, Jesus não veio para morrer, não está no projeto de Deus a morte de um inocente, mas sim a vida digna a todas as pessoas. Acontece que para o império opressor, o Reino de Deus não é bem-vindo! A morte de Jesus é culpa da ganância e dureza de coração dos seres humanos que promovem o acúmulo de riquezas e isso acontece até hoje!
Sexta-feira é o dia da crucificação de Jesus (Mc 15, 34-41). A situação é desesperadora. O Messias servo sofre as consequências de sua vida comprometida com o Reino de Deus. Um pobre camponês, que amava a justiça estava agora só. Abandonado por seus amigos, sente-se também abandonado por Deus. Pouco antes de morrer, lamenta: “Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste? (Mc 15, 34). Jesus morre rezando o Salmo 22. É interessante ler todo o esse salmo para se ter uma ideia do sofrimento de Jesus nessa hora e que, mesmo assim, ele louva a Deus e não deixa de acreditar.
Marcos menciona sobre as cortinas do templo que se rasgam (Mc 15, 37). O Santuário era considerado o lugar do Templo onde Deus estava realmente presente e somente o sumo sacerdote poderia ali entrar apenas um dia no ano. Para Borg e Crossan (2007), esse momento tem um duplo significado:

Por um lado, era um julagamento do templo e das autoridades locais, que colaboraram com a Roma imperial para condenar Jesus à morte. Por outro lado era uma afirmação: dizer que a cortina, o véu, tinha sido rasgada era afirmar que a execução de Jesus significava que, a partir daquele momento, o acesso à presença de Deus estava livre. Essa afirmação enfatizava a apresentação de Jesus feita por Marcos anteriormente, no evangelho: Jesus mediava o acesso a Deus independentemente do templo e do sistema de dominação que este passara a representar no século I.

Em seguida, encontra-se na boca de um centurião a declaração de que Jesus, de fato, é o Filho de Deus (Mc 15, 39). O que isso quer dizer? Quer dizer que o centurião romano, que reconhecia apenas o imperador como filho de Deus, agora confirma que Jesus era a própria vontade de Deus encarnada num ser humano. O verdadeiro Reino de Deus não é aquele que se impõem pela violência, mas aquele que resiste até o fim, dando um grande grito que ecoa no mais profundo do ser humano. É um grito que transcende e diz mais do que quaisquer palavras.
Sobre o sábado, pouco contam os evangelhos. Marcos já passa para a madrugada de domingo. Mateus é quem relata uma conspiração entre os sacerdotes e os fariseus e Pilatos baseada nos rumores de uma ressurreição (Mt 27, 62-66). O projeto de Deus é a vida, em oposição ao projeto do império que é a morte. Aqueles que são contra o projeto de Deus tentam a todo custo, e sem sucesso, impedir a resposta de Deus ao coração de pedra dos homens.
Esse silêncio que se percebe nos evangelhos, em relação à figura de Jesus, no sábado, pôde ser sentido, e é sentido até hoje, na tradição católica. Pouco ou nada se fala de Jesus no dia de sábado. Para os romanos reunidos naquele momento, era apenas mais um agitador que havia recebido sua punição por contradizer o império. Jamais poderiam imaginar que ali, daquela cruz, surgiria uma luz gloriosa para todos os séculos.
O domingo é hoje considerado o Dia do Senhor. Foi no domingo que Deus terminou sua criação e viu que tudo que havia feito era muito bom (Gn 1, 31-2, 1). Tudo que Deus havia feito era bom! Mas com o passar do tempo, muitas coisas foram acontecendo e o Projeto de Deus foi desviado, a Bíblia conta boa parte da trajetória desse povo, com sua luta para retomar o princípio do projeto da criação. Por isso, domingo também é dia da ressurreição! (Mc 16, 1-8) Ao ressuscitar Jesus, Deus recria seu projeto. Não é por acaso que a ressurreição é colcocada num domingo. É a justificação da vida de Jesus. É quando Deus diz que as palavras e ações de Jesus são o caminho para o seu projeto desde o início da humanidade e que deve ser levado adiante pelas comunidades após a morte de Jesus. A vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus restaura o Projeto inicial de Deus.
Existem, é claro, muitos outros fatos que se passaram nos dias que marcaram a última semana de Jesus, no entanto, não compete aqui comentar tudo e fazer um estudo aprofundado. O que se tem aqui é uma breve relfexão sobre esses últimos dias de um homem que viveu profundamente a vontade de Deus e conseguiu transformar um símbolo de morte, a cruz, num símbolo de esperança e libertação. A cruz que antes era martírio, agora, com os cristãos passou a ser um sinal de luz e Boa Nova. Cabe a todos e todas que assumiram o compromisso de serem cristãos e cristãs a usarem a cruz para promover a vida e a ressurreição!



REFERÊNCIA
BAZAGLIA, P (dir). BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002. 2206p. ISBN 85-349-1977-1.
BORG, Marcus J.; CROSSAN, John Dominic. A última semana: um relato detalhado dos dias finais de Jesus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.
GALLAZZI, Sandro. A teocracia sadocita: sua história e ideologia. Macapá: Sandro S. Gallazzi, 2002. (Biblioteca de Estudos Bíblicos).
GASS, Ildo Bohn. Uma introdução à Bíblia: período grego e vida de Jesus – Primeiro Testamento. 2ª ed. São Paulo: Paulus; São Leopoldo, RS: Con-texto, 2007. vol. n. 6. (A serviço da leitura libertadora da Bíblia).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Quem é culpado?

Chega ele de mansinho
Tenta espiar pela janela
Sente o cheiro, ronca a barriga
Não é pro seu bico, não é pro seu bico!
Sai chorando, com vontade
Barriga roncando, pouca idade
Pouca idade, pouco a perder
Melhor é roubar que perecer
Hora de ir lá
De pegá
De tomá o que lhe é de direito
Deus é que fez! Deus é que fez!
Nada é roubado
É partilha na marra!
Quem nega é culpado
Coitado de quem...
... o pão é negado.

Lucas Rinaldini

sábado, 23 de janeiro de 2010

COLÔNIAS DO SUL – NEGROS

Devido à economia adotada nas colônias do sul, ou seja, a predominância da agricultura, aos poucos, o trabalho servil branco foi dando espaço à mão-de-obra escrava africana que pareceu mais vantajosa aos plantadores. Há debates sobre quais as condições de escravidão foram piores: a norte-americana ou a ibérica. Isso inclui as condições às quais eram sujeitados os africanos sem mencionar a cultura do medo gerado em torno do povo negro.
Não cabe aqui discutir se a escravidão nas colônias americanas foi ou não menos cruel que a escravidão ibérica, pois, segundo o relato de Gustavus Vassa havia o medo diante dos brancos compradores e a dor da separação das famílias. Esses sentimentos podem se encaixar a todos os africanos que, não importando seu destino, eram transportados em péssimas condições e despejados em terras estranhas longe da família e da sua cultura. Os castigos mais dolorosos podem ter sido os físicos, mas as cicatrizes mais profundas estão nas almas desses seres humanos até hoje.
Que as condições de vida dos escravos eram desumanas pode-se constatar pelos relatos de insurreições e outras formas de resistência organizadas pelos africanos. A população branca, por sua vez, sem enxergar a sua crueldade para com os escravos negros, usa seu medo para justificar seus códigos que proibiam os negros a saírem aos domingos, a usar armas e tratamento com rigor demasiado caso houvesse algum crime. É provável que essa situação seja a gênese de uma mentalidade “etnofóbica” presente até os dias de hoje entre os norte-americanos.
Mesmo alguma tentativa abolicionista, tentando alertar para o mal da escravidão e enaltecer o africano acaba reforçando a mentalidade de superioridade presente entre os brancos como é o caso, segundo Karnal, do livro de Harriet Stowe que, grosso modo, pode-se entender como uma afirmação de que negro bom é negro branco.
Desse modo, pode-se propor que o ponto mais importante a ser analisado não são as condições de escravidão, uma vez que qualquer uma delas é desumana e, portanto, inaceitável, mas o quão cegas foram as sociedades escravocratas norte-americanas e ibéricas a ponto de se colocarem como vítimas de uma situação em que se caracterizam claramente como opressores.

Lucas Rinaldini

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

É bom abrir os olhos!

Quantas pessoas não sonham em assistir filminhos, baixar arquivos, ter um MSN e um endereço eletrônico, um blog ou um Orkut?
A notícia do acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e a empresa de telecomunicações Telefônica sobre o oferecimento de uma internet banda larga popular está sendo exaustivamente divulgada no site da empresa e pode agradar uma grande parcela da população que dispõe atualmente dos serviços de internet discada ou não possui qualquer forma de acesso.
O presidente também já promete anunciar a política de internet banda larga para o país, uma forma de demonstrar para os mais incrédulos que o Brasil já está entre os principais países do mundo.
Não resta dúvida de que já passou da hora de o governo intervir na questão do fornecimento de um serviço de internet mais acessível à população de baixa renda e que tal serviço deve ser oferecido com qualidade, pois é bom lembrar que há pouco mais de cinco meses a Telefônica teve sérios problemas com a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) que proibiu a venda do serviço de
banda larga por não ter sido oferecido com qualidade bem como a internet discada devido à alta demanda. Inúmeras foram as reclamações nos centros de atendimento da Telefônica e da ANATEL, isso sem falar nas queixas registradas no PROCON (Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor) que em 2008 registrou 3,6 mil queixas só da Telefônica e a fez ser a líder de reclamações pelo terceiro ano consecutivo segundo o Estadão de março desse ano.
Diante de tais fatos, é preciso ter atenção em relação ao “desespero” do governo em fazer com que o serviço de banda larga popular entre em funcionamento ainda esse ano e que, mesmo diante de tanta insatisfação da população, a Telefônica tenha sido a escolhida como parceira. O Governo alega que com isso aumentaria o acesso à internet do público das classes C e D e facilitaria a inclusão digital.
Mas, aumentando o número de pessoas com acesso à internet, não aumentam também os problemas já existentes como dificuldades no oferecimento de um serviço de qualidade diante da alta demanda e mesmo o uso indevido da rede mundial de computadores? É possível controlar isso e orientar para o uso positivo dessa ferramenta que dá acesso ao mundo?
Em setembro desse ano, os jornais anunciaram que a Câmara dos Deputados, com uma agilidade exemplar, havia aprovado a reforma eleitoral dentro da qual, um dos itens de destaque foi a liberação geral da internet para as campanhas políticas. Agora, a preocupação é como fazer com que a internet não se torne uma rede de baixarias políticas tentando adequar a ela os mesmos princípios de ética utilizados nos demais meios de comunicação.
Fica no ar mais um questionamento: qual seria a verdadeira finalidade do oferecimento de uma internet banda larga popular?
É sinal de cidadania a população ficar atenta a essas medidas que aparentam saciar suas vontades e refletir: a vontade de quem está sendo realmente saciada?
De qualquer forma, a internet banda larga está a caminho, tanto no âmbito estadual quanto no nacional. É mais uma opção para analisar quem realmente vale à pena estar à frente do povo nas cadeiras do governo. É bom abrir os olhos!

Lucas Rinaldini

PATRIMÔNIO DE BIRIGUI



Igreja Matriz de Birigui






PATRIMÔNIO DE BIRIGUI

A cidade de Birigui foi fundada em 7 de dezembro de 1911. Em 1915 foi construída, por Frei Domingues Riece, a igreja Matriz Imaculada Conceição que primeiramente foi chamada de capela Santo Ambrósio.
Atualmente a igreja possui 1675,50 m² de área construída e sempre foi utilizada como templo religioso. Passou por algumas reformas. É feita de alvenaria, gesso (o teto) e madeira. Está localizada no centro de Birigui e sua torre pode ser vista a distância, até mesmo fora da cidade.
Seria bem interessante ressaltar a importância da igreja Matriz Imaculada Conceição nas aulas de História enfocando a religião que predominou em Birigui nos seus primeiros anos de existência e como os imigrantes italianos, dentre eles os demais freis que vieram para ficar à frente da igreja, figuras importantes no desenvolvimento da cidade.
Poder-se-ia levantar também a questão dessa igreja como um patrimônio material ou imaterial uma vez que se tem a memória da Imaculada Conceição, no entanto, materialmente, a construção já passou por inúmeras reformas e é provável que pouco tenha restado do material originalmente usado. Ou seja, sabe-se que essa igreja existe desde o início da cidade, porém, não é exatamente a mesma, o que resta é uma memória daquela primeira.




No interior da igreja, encontram-se vitrais cujas figuras são de santos e santas, da sagrada família, e de Jesus o que pode levar a ma discussão sobre a intenção dessa arte hoje em comparação com a arte na Idade Média que, segundo Gombrich, no que diz respeito aos objetos das igrejas, estes eram decorados com uma arte que se pode chamar de temática, pois retratavam algum fato narrado na bíblia de acordo com a utilidade do objeto.
Outra comparação a ser feita é a arquitetura que pode lembrar as construções de Brunelleschi. Na verdade, é provável que mesmo as estruturas de hoje da Igreja Matriz tenham sido influenciadas de alguma forma pela arquitetura italiana.

Abaixo Catedral Santa Maria Del Fiore (Florença, Itália)















IGREJA MATRIZ DE BIRIGUI (nave)




LUCAS RINALDINI

Idade Média: navegando pela transição

De certa forma, é muito fácil encontrar nos livros didáticos o pensamento de que a história é dividida em blocos temporais nos quais cada período tem seu tempo certo para começar e terminar de maneira tão brusca como se a mentalidade dos povos estivesse sujeita a um clique ou simplesmente à facilidade de se virar uma página rumo ao próximo momento histórico. Até mesmo utilizar a palavra “momento” pode dar a ideia de que a história é fragmentada e não um todo semelhante a uma colcha de retalhos em que os períodos que se apresentam estão costurados e remendados com tiras do passado enquanto permitem que a agulha do tempo venha coser sua continuidade.
Para combater tal pensamento, basta se considerar que a história é construída por homens e mulheres, ou seja, se faz pela ação do ser humano que compõe sociedades. Estas vão se organizando e sedimentando suas bases a partir de contratos sociais os quais se edificam nas relações que ocorrem dentro delas.
Dentro de todo esse processo, criam-se mentalidades motivadas pelas condições a que estão sujeitos os indivíduos que compõem tal sociedade. A mentalidade construída durante o caminhar das sociedades se arrasta por séculos e, por isso, é considerada de longa duração.
Difícil é mencionar o conceito de mentalidade sem remeter a Jacques Le Goff de quem Baschet (2006) se utiliza para escrever sobre a longa Idade Média. Esse período de transição é o que pode ser usado como um exemplo da longa duração da mentalidade que paira do século IV ao século XVIII, na Europa, e traz consigo continuidades à medida que o tempo passa. Segundo Baschet (2006):

A longa Idade Média, em seu conjunto, é um período de profundas transformações quantitativas e qualitativas e, quanto a esse aspecto, não há mais diferenças entre os séculos XVI e XVII e os séculos XI a XIII do que entre estes e a Alta Idade Média. Se todas essas evoluções são capitais, o conceito de longa Idade Média convida a prestar atenção à unidade é à coerência desse período de quase quinze séculos. As continuidades são múltiplas, dos ritos da realeza sagrada ao esquema das três ordens da sociedade, dos fundamentos técnicos da produção material ao papel central exercido pela Igreja. Sobretudo, uma análise global leva a concluir que os quadros dominantes da organização social não são questionados de modo que as mesmas “estruturas fundamentais persistem na sociedade européia do século IV ao século XIX”

O caminho rumo à racionalização não foi isento de influências medievais nem esta esteve totalmente livre das fagulhas do Renascimento. Exemplo disso são as explorações marítimas que Portugal iniciou já no século XIV com o périplo africano. Mais tarde, outro nome de destaque seria lembrado na história também por meio da expansão marítima. Cristóvão Colombo, em sua empresa rumo ao descobrimento de um “novo mundo”, não teve como principal objetivo questionar o formato da terra, mas sim a descoberta de uma terra que seria o paraíso. Sua mentalidade tinha as raízes na Idade Média e sua motivação é o imaginário medieval basicamente religioso. Esse mosaico de sentimentos empreendedores misturados a uma mentalidade medieval faz de Colombo um homem híbrido.
Mas as navegações, apesar de terem seus líderes motivados pela mentalidade medieval, não deixaram de ser extremamente importantes para que a Europa fosse rompendo com o imaginário medieval. Prova disso é o que Silva (1987) afirma sobre as experiências que essas viagens permitiram acumular, pois, à medida que as navegações avançavam em suas expedições mais se agregava ao conhecimento matemático e geométrico, estes, por sua vez, contribuíam no desenvolvimento do pensamento racional. Ao mesmo tempo, as mercadorias trazidas estimulavam não só relatos maravilhosos das riquezas, mas também favoreciam imensamente o enriquecimento dos mercadores. Conforme Le Goff (1982) afirma, “de modo muy especial, es el transporte marítimo el medio por excelencia del comercio internacional medieval, el que hará la riqueza de esos grandes mercatores”.
Tal afirmação pode ser entendida como o embrião de uma mentalidade que mais tarde romperá com o mundo medieval, pois esses comerciantes começarão a investir no Renascimento, mesmo ainda tendo ligações com a Igreja. Segundo Le Goff:

Unos favorecerán el Renacimiento intelectual que satisfaciendo las necesidades de sus fuertes personalidades, les permitirá ser humanistas sin salir de una Iglesia a la cual les liga tanto una piedad que sigue siendo medieval como el sentido de su próprio interés, porque la Iglesia, puede ser y es a menudo un aliado social poderoso.

Com essas asserções, conclui-se que a transição da Idade Média para a Idade Moderna ocorre de maneira lenta e é permeada pelas mentalidades medievais, sendo estas fundamentais para esse processo. Observa-se aqui também que, com as navegações, houve um avanço no desenvolvimento da racionalidade, o que contribuiu com a transição apesar da forte presença do imaginário medieval.

Lucas Rinaldini


Referências bibliográficas

BASCHET, J. A CIVILIZAÇÃO FEUDAL. São Paulo. Global, 2006.
LE GOFF, J. MERCADERES Y BANQUEROS DE LA EDAD MEDIA. Buenos Aires. EUDEBA, 1982.
SILVA, J. T. DESCOBRIMENTOS E COLONIZAÇÃO. São Paulo. Ática, 1987.

NICOLÒ DI BERNARDO DEI MACHIAVELLI

Nicolò di Bernardo dei Machiavelli, ou Nicolau Maquiavel, como conhecemos, nasceu em Florença, Itália, em 1469 e viveu até 1527. Foi historiador, poeta, diplomata e músico e viveu em uma fase de transição em que o teocentrismo medieval perdia espaço para o humanismo renascentista.
Atualmente, é reconhecido como fundador da Ciência Política moderna por refletir sobre como o Estado e o governo realmente atuavam ou deveriam atuar para se manter no poder. Maquiavel teria sido o terceiro de quatro filhos de família humilde. Aos sete anos já dominava o latim e, mais tarde estudou também os fundamentos da língua grega antiga. Alguns autores consideram que, comparada a outros pensadores, a educação de Maquiavel foi fraca, principalmente pela falta de recursos da família.
Durante seus estudos, Maquiavel teve contato com obras da Antiguidade Clássica, talvez pela característica do movimento renascentista de resgatar os valores da Idade Antiga. O autor mais lido por Nicolau teria sido Tito Lívio, entre outros por meio dos quais se apropriou do conceito de virtu e fortuna. A partir daí, segundo Chauí (2000), Maquiavel constrói sua teoria de acordo com seu tempo.
Em 1498, Nicolau foi escolhido para a 2ª chancelaria na qual era responsável pela política interna e questões relacionadas às guerras. Efetuou missões de diplomacia com sucesso e representou o interesse político de seus líderes chegando ao cargo de embaixador. Durante essas missões é que Maquiavel escreve suas primeiras obras das quais, a mais conhecida é O Príncipe e Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio (1512-1517) além de outro clássico chamado A arte da guerra.
Entre 1517 e 1518, escreveu o poema Asino d’oro, a peça Mandrágora, considerada obra prima da comédia italiana, Novella di Belfagor (1515), além de inúmeros tratados históricos e políticos.
Durante o Renascimento, Florença era uma das cinco principais potências econômicas especializada no comércio de lã e seda que eram distribuídas por toda Europa. Devido a isso, Florença era um atrativo para as demais potências europeias principalmente Espanha e França. Em suma, Florença é considerada berço do Renascimento e foi um centro de comércio e de finanças que do início do século XV até meados do século XVIII foi governada pela família Médici muito influente conforme afirma Pipkin (2009):

Gracias a la expansión económica y al privilegio obtenido por algunos mercaderes se fue formando un grupo diferenciado por su fortuna, el de los más ricos. Eran los grandes comerciantes y banqueros y los maestros de los gremios más importantes, que constituyeron el patriciado urbano. La diferenciación de este grupo terminó de definirse cuando conquistaron el poder de las comunas. Familias poderosas como los Médici en Florencia y los Visconti y los Sforza en Milán, detentaban el poder en las ciudades.

Como podemos observar, o poder econômico se tornava fator de ascensão social e manutenção dessa posição através dos anos e, de fato, Maquiavel legitimaria essa lógica com os escritos de sua mais famosa obra O Príncipe buscando também o pode.

O Príncipe

Podemos dizer que as principais ideias dessa obra gravitam em torno dos conceitos virtude/fortuna e conquista/manutenção do poder.
Maquiavel começa O Príncipe relatando alguns acontecimentos com alguns príncipes da época. Isso prova que suas ideias e obras se basearam na história política de seu tempo que refletem as quedas e ascensões de líderes e criticam aqueles que se tornam causa do poderio de outrem, pois se arruínam devido a esse poder resultar ou da astúcia ou da força.
Utilizando o momento histórico em que vive e o estudo da Antiguidade Clássica, Maquiavel vai descrevendo os fatos e refletindo sobre eles e fazendo inúmeras ressalvas como quando afirma que o Príncipe deve governar e destruir par anão ser destruído, que a ele é necessária mais virtude do que fortuna, pois, com a virtude, a conquista do Estado se dá com dificuldade, mas a manutenção dele é menos trabalhosa. Enquanto o príncipe, por meio da fortuna, conquista facilmente o Estado, no entanto terá dificuldade em mantê-lo porque lhe falta virtude, algo fundamental para se manter no poder.
Cabe aqui um pequeno esclarecimento do que Maquiavel entende por virtude e fortuna. Este, segundo Chauí (2000), seria um conjunto de circunstâncias externas que agem sobre o príncipe determinando sua vontade e ação, mas que não está em seu poder. Já a virtude consiste em o príncipe ser volúvel e inconstante, ou seja, deve ser flexível às circunstâncias para assim dominá-las, mesmo que para isso seja preciso ser cruel, mentir ou, em outros momentos, ser generoso e etc.
No livro O Príncipe, Nicolau escreve sobre aqueles que chegam ao principado por meio de crimes. Conforme ele, temos:

Penso que isto resulte das crueldades serem mal ou bem usadas. Bem usadas pode-se dizer serem aquelas (se do mal for lícito falar bem) que se fazem instantaneamente pela necessidade do firmar-se e, depois, nelas não se insiste mas sim se as transforma no máximo possível de utilidade para os súditos; mal usadas são aquelas que, mesmo poucas a princípio, com o decorrer do tempo aumentam ao invés de se extinguirem. Aqueles que observam o primeiro modo de agir, podem remediar sua situação com apoio de Deus e dos homens, como ocorreu com Agátocles; aos outros torna-se impossível a continuidade no poder. Por isso é de notar-se que, ao ocupar um Estado, deve o conquistador exercer todas aquelas ofensas que se lhe tornem necessárias, fazendo-as todas a um tempo só para não precisar renová-las a cada dia e poder, assim, dar segurança aos homens e conquistá-los com benefícios. (Maquiavel, 2009)

Provavelmente dessas afirmações tenha saído a sentença de que “os fins justificam os meios”. O mal seria necessário para se obter uma conquista, mas somente para isso. Esse mal não deve se estender.
Nesse mesmo livro, o autor afirma que para aquele que chega ao principado em favor de seus concidadãos não é necessária muita virtude nem fortuna, mas astúcia afortunada. Entretanto, ele alerta que é necessário ter o povo como amigo, mas também ter assim aos grandes.
Pode-se chegar ao principado por vontade do povo, porém, é melhor subir ao principado com ajuda dos grandes, pois ao povo se conquista.

O príncipe pode ganhar o povo por muitas maneiras que, por variarem de acordo com as circunstâncias, delas não se pode estabelecer regra certa, razão pela qual das mesmas não cogitaremos. Concluirei apenas que a um príncipe é necessário ter o povo como amigo, pois, de outro modo, não terá possibilidades na adversidade. (Maquiavel, 2009)

Em outro momento, o livro traz também algumas reflexões sobre os principados eclesiais. Segundo o autor, conquistam pela virtude ou pela fortuna e sem uma e outra se conservam por serem sustentados pela ideologia religiosa.
A partir dessas ideias de conquista e manutenção de poder, Maquiavel vai desenrolando sua teoria política e enfatiza outro ponto que também parece fundamental: o príncipe não deve evitar ao máximo ser odiado, antes, que seja temido.
O livro O Príncipe foi escrito a Lorenzo de Medici e através de conselhos, sugestões e inúmeras admoestações realizadas a partir de acontecimentos políticos que aconteceram na península itálica nesse período de transição entre Idade Média e Renascimento. Com isso, alguns autores afirmam que Maquiavel dedicou esse livro a Lorenzo para ganhar sua confiança e ter um cargo, mas não consegue atingi-lo.
Aos 58 anos, Nicolau Maquiavel morre na pobreza e, ironicamente, totalmente afastado do poder.

Lucas Rinaldini
Referências bibliográficas

PIPKIN, D. Claves históricas para leer a Maquiavelo. Fonte: http://www.4shared.com. Acesso em 20 de março de 2009.

CHAUÍ, M. Filosofia. Ática-SP. 2000.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Fonte: http://www.4shared.com. Acesso em 24 de março de 2009.

MAQUIAVEL, N. Escritos Políticos A Arte da Guerra. Fonte: http://www.4shared.com. Acesso em 24 de março de 2009.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maquiavel. Acesso em 20 de março de 2009.